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Eu queria ser engraçada. Dizem que as pessoas se apaixonam por quem é assim. Eu queria saber falar melhor das coisas que você provoca em mim, desde os medos até as curiosidades. E queria, principalmente, me admitir fraca sem a menor culpa, mas você não precisa saber disso. Eu queria ser o melhor, para mim, para ti, para nós, mas acontece que eu sempre escapo da estrada boa, tenho mania de precisar passar por muitos buracos até entender que nem tudo precisa ser tão difícil e dolorido. Quando eu escrevo, falo alto demais, e nessas de gritar pode ser que você se ensurdeça ou enlouqueça quando não entender nada. Eu queria, também, poder entender melhor, mas não entendo nada, por isso, não se esforce, eu quase não valho a pena. Talvez eu valha a pena nos dias pares, porque sempre gostei mais deles, mas nos dias ímpares nem a minha sombra vale. Ou vice-versa, não sei se isso é uma regra, ainda não decidi. Eu queria escutar mais música alternativa, essa que as pessoas dizem que é pura cultura, ou ler os clássicos que todo mundo leu enquanto eu gastava tempo com livros desconhecidos. Saber dançar melhor é outra coisa que eu queria, esse tipo de gente também leva lá as suas vantagens. Ter um gosto refinado para vinhos, ser boa em arquitetura , um sorriso menos torto e menos cara de quem sempre perde. É, eu queria ter o ar dos vencedores, quem sabe isso te prendesse mais em mim, demonstrasse confiança, mas eu só sei tremer de medo em silêncio. E você dorme, não vê tudo isso e mesmo assim me vê de um jeito que o espelho não me conta. Eu queria ser metade do que você vê. Metade do que as revistas dizem que devemos procurar em alguém. Metade do que os meus sonhos pedem. Eu queria ser quem te falasse ao invés de te escrever. Mas o que sou, entre linhas, entre erros e acertos, sorrisos tortos e gostos trocados, é tudo teu.

Camila Costa.    (via com-versos)
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Como se a gente tivesse obrigação de fazer alguma coisa toda noite. Só porque é sábado. Essa obsessão urbanoide de aliviar a neurose a qualquer preço no fins de semana, pode? Tenho vontade de dizer nada, não vou fazer absolutamente nada. Só talvez, mais tarde, se estiver de saco muito cheio, tentar o suicídio com uma-dose-excessiva-de-barbitúricos, uma navalha, um bom bujão de gás ou algo assim. Se você quiser me salvar, esteja a gosto, coração.

Caio Fernando Abreu.   (via recitalizar)
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Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesses por nada. Não fazia a mínima ideia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Frequentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam.

Charles Bukowski. (via recomendar)
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O que falta para eu entender que acabou? Que dor falta sentir?

Tati Bernardi. (via acrescentada)
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Estou tendo uns dias difíceis, mas nada, nada de grave. Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade. Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade. Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver.

Caio Fernando Abreu. (via extinta)
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Foi então que percebi que não tinha escapatória. Sempre haveria alguma coisa que precisava ser feita, senão te riscavam do mapa. Era duro reconhecer, mas fiz questão de anotar, perguntando-me se algum dia encontraria um meio de me livrar daquilo.

Charles Bukowski.  (via acrescentada)
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O silêncio não era quietude, nem calma, e não era paz.

A Menina que Roubava Livros.   (via acrescentada)
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Meio podre por dentro, algo em mim morreu.

Restos de um naufrágio. (via acrescentada)
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Você não sabe quantos abalos sísmicos e quantas chuvas ácidas carrego no peito. Não sabe que nutro um tumor maligno perto das paredes do miocárdio. Eu sufoquei dolorosamente e gradativamente quando me deixastes; as partidas eram como estripamentos de corpos - braços arrancadas a sangue frio, olhos esmigalhados, carne no estado de decomposição - elas nunca foram meu forte, eu sucumbia a cada uma delas; o oxigênio não percorria as células do meu corpo, tinha constantemente paradas respiratórias, meu lado suicida e masoquista despertava das compotas do esquecimento ou melhor da loucura, estou longe, muito longe de ter coesão e coerência no que digo, você sabe disso, sabe tanto que até conhece quando vou cair de cara no chão. baby, estou a um passo de ter minha jugular cortada, estou caindo no meio fio da Av Paulista, baby, até outra hora.

Vinicius Cinereo. (via manifestador)
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A pessoa tem a cara de pau de chegar e já ir desfazendo as malas, se ajeitando, se acomodando, sem ao menos bater na porta e pedir licença. E eu recebo a visita, trato bem, ofereço-lhe uma xícara de café, peço que se sente no sofá, faço um bolo e ainda digo pra ficar a vontade. E não é que o filho da puta fica? Depois de uns dias estou eu lavando as roupas do desgraçado, incluindo as cuecas. Se ele se sente mal, eu dou remédio. Se se sente bem, eu comemoro junto. Se quer sair pra tomar umas, eu pago a conta. Afinal, não é assim que se trata um hóspede? Pois é, mas como todo hóspede, a hora de ir embora chega. E chega bem no momento em que eu começo a me acostumar com a ideia. Ele simplesmente junta as tralhas e dá o fora, do mesmíssimo jeitinho que chegou: do nada, sem avisar. E me deixa aqui, com o coração latejando de amores. Acabou, meu bem, acabou. Ele se foi e eu fiquei.

lonjurass (via d-engoso)
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